Se é verdade que há outras provas que até são consideradas mais duras, como o Paris - Roubaix, nada se compara ao Tour.

Mas este ano, após um período de domínio de Lance Armstrong que durou 7 anos (e que só foi verdadeiramente ameaçado em 2003 por Jan Ullrich, o alemão que nunca acabou a prova abaixo de quarto lugar e a venceu em 1997), esperava-se uma luta aberta em um naipe maior de corredores, onde pontificavam com maior destaque os vencedores do Giro d'Italia (Ivan Basso) e do Tour de Suisse (Jan Ullrich).
A caça estava aberta. Basso (Team CSC) e Ullrich (T-Mobile) como favoritos principais e um rol bastante extenso de pretendentes, como Vinokourov (Wurth), Heras (Wurth), Beloki (Wurth), Mancebo (AG2R), Botero (Phonak), Landis (Phonak), Hamilton (Phonak), Azevedo (Discovery), Popovich (Discovery), Hincapie (Discovery), Mayo (Euskatel), Zulbeldia (Euskatel), Kloden (T-Mobile) ou Valverde (Illes Balears).

Mas, com um senso de timing a roçar a perfeição e sem qualquer tipo de interesses escondidos (bolas, esqueci-me de pôr aspas...), foi divulgada na véspera da competição, após os testes de aptidão física feitos pela organização, uma lista de 56 corredores que, apesar de não haverem provas nem acusações formais, poderiam estar envolovidos com o Dr. Emiliano Fuentes no âmbito da mediática Operaccion Puerto. Para além do médico madrileno, a operação, que supostamente vai voltar a dar credibilidade ao ciclismo, já "vitimara" Manolo Saiz, patrão da entretanto extinta Liberty Seguros (transformada em Astana-Wurth e depois em Wurth) e a "sua" equipa.
Numa manhã (a de 30 de Junho de 2006), tudo se mudou.
Primeiro, Jan Ullrich e Oscar Sevilla (T-Mobile) foram suspensos preventivamente pela sua equipa, bem como o mentor do alemão, o belga Rudy Pevenage.

Ficavam os outros. Até eram bons, muito bons.
Mas eram, definitivamente, "os outros".
E todos os dias houve emoção... desde fugas com meia-hora de avanço, um vencedor do Alpe d'Huez que fugiu do pelotão 6Km após a partida e andou fugido até à meta (para ganhar o maillot au poids, símbolo de "rei da montanha"), até quem perdesse 10 minutos (e o maillot jaune) num dia e recuperasse 8 no seguinte (está-se bem bem a ver a probabilidade disto acontecer com o peloton completo).
Parabéns a Floyd Landis (provável vencedor amanhã quando o Tour terminar nos Champs Elisées no coração de Paris), à T-Mobile (que começou com 7 atletas e acabou com 7, vencendo por equipas e mais três etapas - entre as quais, os dois contra-relógios, por Sergei Gonchar), a Michael Rasmussen (que provou poder vir a ser um digno sucessor de Richard Virenque) e a Robbie McEwen (novamente "rei dos sprints").

Falando um momento do contra-relógio que decidiu a classificação geral, grandes resultados para Andreas Kloden (recuperou um lugar no pódio que, mesmo assim, lhe terá sabido a pouco), Oscar Pereiro (que ainda assim, não deu para manter a "amarela"), Floyd Landis (sem arriscar e após o esforço feito 48 horas antes, muito sólido e focado no seu objectivo), o já referido Cunego (que tinha menos de 10 segundos de vantagem de Fothen e acabou por ampliar essa vantagem) e o vencedor, o quase veterano Sergei Gonchar, único a "rolar" acima dos 50 Km/h de média.
Viva o Tour de France !!!
Viva Le Grand Boucle !...
Pode ser que, para o ano, volte a ser grand...