2008-08-08

XXIX Olimpíadas - Pequim '2008

Espera-se o melhor. De todos os atletas. Da Organização. Do público. Dos anfitriões (ver maquete do ninho do pássaro).

o ninho do pássaro

Espera-se o melhor. Da comitiva portuguesa.
Nunca houve tão grande expectativa em relação a uma comitiva olímpica e, para Pequim 2008 (ou Beijing 2008) esperam-se várias medalhas... pelo menos, as de Vanessa Fernandes, Naíde Gomes, Telma Monteiro e Nélson Évora.

Quem não tem na memória a fuga de Carlos Lopes em 1984 ?
Quem não tem na memória o sorriso de Rosa Mota em 1988 ?
Quem não tem na memória a ultrapassagem de Fernanda Ribeiro (à incrédula Wang Jun-Xia) na reta final dos 10000m em 1996 ?

Para acrescentar novas memórias, às 8h08m da noite do dia 08.08.2008 (em Portugal, 13h08m), ligue-se à televisão (se não tem lugar no Estádio Nacional de Pequim) e veja a cerimónia de abertura das XXIX Olimpíadas da Era Moderna.

2008-08-07

The Police... adeus !

Trinta anos depois, uma última tournée de 50 concertos que passaram por quase todo o mundo, Portugal incluído, os The Police disseram o adeus definitivo num dos míticos palcos... o Madison Sq Garden de Nova Iorque.

the police... 2007

O alinhamento do último concerto (ou setlist, se preferirem) não foi muito diferente do resto da tournée e abarcou toda a carreira da banda, desde que começaram a ganhar alguma notoriedade no Reino Unido no final dos anos 70, quando Stewart Copeland (baterista) fundou a banda com Gordon Sumner (baixista, mais conhecido por Sting), Henry Padovani (guitarrista, que saíria da banda pouco mais tarde) e aos quais se juntou Andy Summers passados poucos meses, ainda em 1977.

Quem esteve presente, viu e ouviu Elvis Costello como special guest antes de Sting, Summers e Copeland subirem ao palco; depois, os ingredientes para a festa foram sucessivamente:

Message In A Bottle
Walking On The Moon
Demolition Man
Voices Inside My Head
When The World Is Running Down
Don't Stand So Close To Me
Driven To Tears
Hole In My Life
Every Little Thing She Does Is Magic
Wrapped Around Your Finger
De Do Do Do, De Da Da Da
Invisible Sun
Can't Stand Losing You
Roxanne
King Of Pain
So Lonely
Every Breath You Take
Next To You

Pois, após as (novas) despedidas, we bid you "goodbye!" e esperamos pelo DVD da tournée, que junto ao dos Genesis (já editado), Led Zeppelin e Van Halen (a editar) serão valiosos objectos de colecção por quanto históricas foram estas reuniões.

Até sempre !

2008-06-30

Gracias por el futbol !!!

Obrigado pelo futebol !!!
É o que podemos dizer a nuestros hermanos.

Sem euforias pelas vitórias sucessivas (ao contrário da Holanda ou Croácia), com grande rigor defensivo (ao contrário de Portugal), com os melhores jogadores a serem os anti-estrela (como são o Xavi, o Iniesta e o Fabregas - três catalães), a Espanha sagrou-se, com ampla justiça e de forma invicta, campeã europeia de futebol.

Fê-lo, pela segunda vez no seu historial, após 24 anos sem presenças em finais (desde o célebre "frango" de Arconada num livre directo de Platini em pleno Parque dos Príncipes) fê-lo também com inegável categoria e superioridade.

Por isso, muito obrigado.

Temos de estar agradecidos por terem sido os melhores a ganhar, por terem sido eles a vetar a vitória de uns pragmáticos mas demasiadamente cinzentos alemães (com os quais teremos ainda de aprender qualquer coisa...).

Temos de estar agradecidos (e lembrar-mo-nos) por nos mostrarem que "comboios de entuaiasmo" (como os em que a Holanda e Rússia embarcaram) têm sempre viagens curtas e abreviadas pelos que mantêm os pés assentes em solo firme. E nuestros hermanos "despacharam" os russos duas vezes e sem reticências... 4-1 e 3-0.

Temos de estar agradecidos (e manter presente) que "as luzes da ribalta" ofuscam e toldam a visão; na próxima época, lá teremos os trabalhadores do costume a darem tudo dentro de campo (e não apenas quando o golo está à vista)... além dos já mencionados Xavi, Iniesta e Fabregas, a lista é enriquecida por nomes como Sérgio Ramos, Capdevilla, Puyol, Xabi Alonso, David Silva, Cazorla, Marcos Senna ou Guiza. Lá atrás, o jovem "veterano" Casillas.

Mas não digamos bem só dos vencedores (quais convivas a dizerem bem de um defunto apenas pela razão de que acabou de falecer). Beckham e Gerrard de fora...Houve vários outros jogadores em destaque que merecem menção honrosa, como sejam Ashvavin (Rússia), Kolodin (Rússia), Pavlyuchenko (Rússia), Larson (Suécia), Emre (Turquia), Altintop (Turquia), Tuncay (Turquia), Nihat (Turquia), Deco (Portugal), Petit (Portugal), Moutinho (Portugal), Bozingwa (Portugal), Ballack (Alemanha), Schweinsteiger (Alemanha), Podolski (Alemanha), Modric (Croácia), Ribéry (França), Buffon (Itália), Pirlo (Itália), Van Nistelrooj (Holanda), Sneijder (Holanda), lamentando-se ainda as ausências de Rosicki (Rép. Checa) e Nesta (Itália).

Pelo comprimento desta lista (e de algum nome que, por lapso, terei deixado de fora), vê-se claramente que este Euro 2008 foi muito mais do que a vitória da Espanha. Bons jogos, bons jogadores, bons espectáculos.

É pena que as selecções organizadoras tenham pouca qualidade futebolística (até hoje, apenas por uma vez, uma selecção organizadora - Bélgica em 2000 - não tinha passado à segunda fase) porque tal baixa a qualidade do torneio. As duas disseram "presente" e pouco mais, tendo ficado de fora outras que proporcionariam outro espectáculo... Inglaterra, Dinamarca, Irlanda, por exemplo.

Venha o Mundial 2010, na África do Sul, porque este Euro 2008 está entregue, e muito bem entregue.

2008-03-15

Obrigado, Camacho!

Haja quem saiba o que é honra.
Haja quem saiba o que é postura profissional.

Nas duas passagens que teve pelo Benfica, o treinador espanhol deparou-se sempre com um adversário institucional muito grande; mas, de cada vez, o adversário não foi o mesmo.



Da primeira vez, faltou dinheiro... e apareceu o Real Madrid a chamar.
Não chegaram os jogadores que o treinador pretendia e, apesar de não se fazerem omoletes sem ovos, o desempenho foi meritório (na sombra do FCP de Mourinho) e criou-se uma equipa que viria a ser campeã em 2004/05, já sob a batuta de Trapatoni.

É inquestionável que Camacho tem perfil para gerir homens (mesmo algumas primas donnas que povoam amiúde o plantel do "Glorioso") e também é indubitável que de futebol também percebe... como se viu no Mundial da Coreia/Japão, onde só vergonhosamente foi eliminado pela equipa da casa (lembram-se de dois golos limpos?) nos penalties.

Desta vez, diga-se, foi um lobby de jogadores.
Terá sido?... Mesmo ?!!!

Parece que o treinador espanhol terá alguma culpa ao aceitar a proposta de trabalho sem ter feito o planeamento da época (altura em que poderia ter definido o plantel, entre outras tarefas organizativas) e saindo antes do fim da mesma, mas...

É inadmissível que o nível de empenho que certos jogadores têm seja deixado passar em claro pela Organização. E como a Direcção não pune (nem dispensa) esses jogadores, é o homem do leme que se manifesta, indicando que o barco não tem condições para chegar a bom porto... o que é verdade, dado estarmos ainda no Inverno e a melhor perpectiva é vencer a Taça de Portugal e ficar em segundo no Campeonato (onde a luta se trava com Sporting, Setúbal e Guimarães - não por esta ordem).

Fartos de sugestões vindas da bancada, os homens que se põem ao leme do navio encarnado, depressa procuram outras margens, outros portos, outras paragens, porque o Benfica não consegue sequer manter um timoneiro nem sequer manter boas relações com os antigos timoneiros (excepção feita a Eriksson, Toni e... Camacho, vá!).

Treinadores e jogadores de grande qualidade embarcariam em qualquer projecto que não fosse minado pelas 'tricas' de atletas que querem garantir o soldo sem trabalho; creio que todos os treinadores gostam de qualidade, mas apreciam claramente a dedicação... exemplos: Claudio Pitbull (emprestado pelo Porto ao Setúbal), Christian Rodriguez (emprestado pelo Paris St-Germain ao Benfica), Grimi (emprestado pelo AC Milan ao Sporting), entre outros. Lembram-se do Kuffour a chorar após a derrota nos descontos contra o Man Utd para a final da Champions?

A este Benfica, falta com certeza a classe de jogadores como Rui Costa, mas falta igualmente a dedicação de outros como Mantorras, jogadores que cativam o público e que fazem da Luz um "inferno". Hoje, quem estremece na Luz? Quase ninguém (nem mesmo o "lanterna vermelha"). E quando o treinador é considerado um adversário (quiçá à manutenção do status quo), o lobby encarrega-se de devolver a ordem, pondo as prioridades no lugar... ou seja, a instituição em último lugar.

Sem utopia ou saudosismo, facilmente se recordam jogadores como Carlos Manuel, Veloso, Álvaro, Jonas Thern, Mozer, Amaral, Isaías ou Preud'Homme que representam diferentes eras em que, com maior ou menor qualidade futebolística, se encontravam jogadores que "deixavam a pele em campo" ou, como o Carlão disse antes de uma célebre viagem até Estugarda, o grito era: "há que comer a relva". Logo ele, sportiguista assumido.

Por tudo isto a frase "jogar à Benfica" está em desuso.
Agora, todos querem "jogar à Porto"... os resultados estão à vista.

2007-12-17

As reuniões...

Falhei !... Não consegui ver os Led Zeppelin no "O2 Arena" em Londres.

Apesar de ter feito a pré-inscição (como mais de 2 milhões de pessoas) e ter entrado em N concursos na web, fiquei em casa, sem bilhete.

Haverá uma continuidade?
Haverá um DVD?



Mas foi um óptimo ano em termos de reuniões: Genesis, The Police e Van Halen voltaram a tocar para plateias cheias e maravilharadas (não vamos falar de preços de bilhetes).

2007-07-29

Verão sobre rodas... com pronúncia espanhola !

Hoje, em Lisboa, está a chegar o Verão !...
Ainda é cedo, pouco passa das 10h, mas parece que estão já 30 graus na rua, o que não augura nada de bom (por mim, cheira-me logo a incêndios pouco casuais).

Neste contexto, e em termos de desporto, nuestros hermanos estão absolutamente on fire... principalmente Alberto Contador, Rafael Nadal e Fernando Alonso.

Apesar da tenra idade e de ser um estreante no Tour de France, Alberto Contador venceu a prova, tendo vencido uma etapa (nos Pirinéus, na difícil etapa que terminou em Plateau-de-Beille), conquistando o maillot jaune após a exclusão do então líder, Michael Rasmussen, que terá mentido à sua equipa sobre o seu paradeiro no mês antes da competição. Entretanto, o jovem espanhol (o primeiro a conquistar a camisola branca e a amarela desde que Jan Ullrich o fez em 1997) teve o mérito de conquistar tempo aos valorosos adversários (o australiano Cadel Evans, o colega americano Levi Leipheimer e ainda os compatriotas Carlos Sastre, Haimar Zubeldia e Alejandro Valverde), perdendo tempo no contra-relógio do penúltimo dia mas vencendo com todo o mérito, com a menor margem desde que Greg Lemond bateu Laurent Fignon por 8 segundos nos anos 80. Curiosamente (ou não), estiveram 6 espanhóis entre os 10 primeiros.

Quanto a "Rafa" Nadal, após a derrota na final de Wimbledon (pelo segundo ano consecutivo), final essa em que pela primeira vez alguém "obrigou" Roger Federer a um quinto set (e onde Nadal teve dois pontos de break antes de ceder por 2-6 e assim, o quinto título consecutivo para o suiço), o sobrinho do ex-futebolsita do Miguel Angel Nadal (Barcelona, Maiorca, etc.) não perdeu muito tempo a reencontrar o caminho das vitórias, voltando ao seu piso preferido (a terra batida) para vencer em Estugarda, passeando a sua classe e superioridade, derrotando o suiço Stanislas Wawrinka por 6-4 e 7-5 na final. O US Open está aí à porta (em hard court, infelizmente para Nadal) e o objectivo é, como em Wimbledon, destronar Roger Federer.

Entretanto, na Fórmula 1, o campeão do mundo Fernando Alonso "apimentou" a corrida pelo título ao vencer o Grande Prémio da Europa (conquistando 10 pontos) enquanto o seu colega e sensação do ano, Lewis Hamilton, se quedou pela décima-primeira posição, não pontuando. Como o actual sistema de pontuações permeia a regularidade (ao contrário do que se passava nos tempos de Prost, Senna, Piquet e Mansell), o título está em aberto com Hamilton (70), Alonso (68), Massa (59) e Raikkonen (52) a animarem a luta.

Talvez este mês sirva para nós, portugueses, pensarmos e reflectirmos que sermos "os maiores cá dentro de portas" vale realmente de muito pouco e que, sendo em termos de superfície e população aproximadamente 1/5 deles (ou "de ellos"), poderíamos ter 1/5 do sucesso a este nível (e a outros nívels... lembro, assim de repente, do Festival da Eurovisão). Se calhar, temos de "dar um passo atrás, para poder dar dois em frente"... processos como o Apito Dourado devem limpar quem está a mais em vez de desculpar e encobrir quem, por detalhes técnicos é comprovada e visivelmente corrupto(a), se mantém à frente de empresas e organizações (federações inclusive) "arrastando" o desporto (até como fonte de cultura) para um plano secundário (e como fonte de iliteracia, como distração marginal), mas sempre sem prejuízo dos interesses pessoais, porque esses não deixam de vender jornais, nem deixam de aparecer como primeiras notícias na nossa televisão.

Ou talvez não sirva para nada.
A vida continua lá fora...

2007-01-14

O sangue de Brecker

Já há uns tempos que não escrevia sobre música. E o que escrevo hoje não me dá prazer nenhum.

Faleceu ontem, dia 13 de Janeiro de 2007, Micheal Brecker, músico de jazz. Micheal Brecker (1949-2007)

Pois muito bem, poderão dizer que tocava saxofone tenor, mas Brecker abarcava mais do que o seu instrumento de eleição (já nos tempos de escola tinha começado pelo clarinete e passado pelo saxofone alto).

Enquanto criança que ouve música, descobri-o no álbum "City Streets" de Carole King, onde na primeira música (com o mesmo nome) sucede a Eric Clapton para um solo bem ao seu estilo.

Mas se Brecker pode ser considerado um intérprete de jazz, o mesmo não quer dizer que era sectário em relação ao estilo de música, em particular ao "inimigo do jazz", o rock.

O seu início de carreira, com uma banda chamada "Dreams" onde, para além do seu irmão Randy, estavam senhores como Billy Cobham (percurssão), entre outros. A banda só durou um ano, mas captou a atenção de outro senhor, chamado Miles Davis, que algumas vezes assistiu a gigs.

Depois de fundar com o irmão os "Brecker Brothers Band", juntou à banda mais dois senhores do jazz, nada menos que Thelonius Monk e Sly Stone. Esta banda entrava por um jazz/fusão que muito tinha de inovador e muito tinha de inspiração/influência de Miles Davis e Weather Report.

Como intérprete de excelência, foi muitas vezes "recrutado" como session player por artistas como Paul Simon, James Taylor, Steely Dan, Joni Mitchell, Pat Metheny ou mesmo os Dire Straits. Tocou ainda com Frank Zappa no álbum "Zappa In New York".

Curiosamente, o seu álbum de estreia a solo surge apenas em 1987. Uma aproximação mais clássica ao jazz, poder-se-á dizer. Mas Brecker não parou por aí; continuou a escrever e a tocar ao vivo com o seu saxofone Selmer Mark VI com bocal customizado Dave Guardala. Perdoem-me fazer deste parágrafo algo tão curto, mas calcularão que para conhecermos a sua discografia, muitas páginas seriam necessárias.

Em 2005, foi-lhe diagnosticada uma doença no sangue designada como Síndroma Mielodisplástico (ou myelodysplastic syndrome, MDS, em inglês) que não o fez parar. A sua actividade musical foi acompanhada por uma busca a nível mundial de um dador compatível de células estaminais para transplante. O insucesso na descoberta de tal dador (inclusivé na sua própria família) levou a que fosse tentado um tratamento experimental, que parecia estar a dar resultados até ao fim de 2006, embora tal não se tratasse de uma cura.

Ainda em 2006, Brecker voltou aos palcos, tocando com Herbie Hancock no Carnegie Hall e preparando um álbum que (eventualmente) será editado postumamente.

Michael Brecker (1949-2007)

Michael Brecker acabou por falecer em Nova Iorque, devido a complicações relacionadas com leucemia.

2006-12-01

A lei do mais fraco (parte 2)

E eis que acontece de novo. Tal como tinha acontecido no derby da Segunda Circular de Janeiro passado, o visitante e equipa que teoricamente estaria mais em baixo, venceu sem problemas. Com alguns sobressaltos como a inesperada lesão de última hora de Karyaka, mas sem problemas.

festejos...

O Sporting, a dois pontos do líder, Porto, tinha uma boa oportunidade para se colocar, ainda que provisoriamente, na liderança e deixar o Benfica a 10 pontos e praticamente arredá-lo do título, se bem que ainda haja um Benfica-Belenenses em atraso da 1ª Jornada para acertar contas.

O estádio esteve bem composto, mas não cheio, tendo (oficialmente) 44042 espectadores pagantes.

Num primeiro instante, o Sporting não teve direito a respirar; ainda se jogava o minuto 2 e já o Benfica se colocava à beira de marcar, com Nuno Gomes a aparecer a cabecear para um defesa segura de Ricardo para canto. Canto esse, já no minuto 3, que deu a Ricardo Rocha oportunidade de se antecipar a Anderson Polga e inaugurar o marcador em casa do adversário. Estava feito o 0-1.

Este golo re-desenhou o jogo. O Benfica, com dois médios defensivos mais experientes que velozes (Petit e Katsouranis) encolheu o campo perto da sua área e "obrigou" o Sporting a jogar pelo meio ou a bombear para a área, uma vez que nunca conseguia abrir a defesa ou chegar à linha de fundo. Resultado, um lance de perigo de Carlos Bueno que Quim parou bem e pouco mais.

Houve um canto em que Nani cabeceou por cima e um lance dentro da área em que Miguel Garcia ainda tentou iludir o árbitro em disputa com Simão, mas ó árbitro nem deu atenção suficiente; se o tivesse feito, Miguel Garcia teria um amarelo com toda a certeza.

O Benfica oferecia a bola ao Sporting (posse de bola, 60% - 40%) e só atacava pela certa quando Miccoli, Simão ou Nuno Assis tinham vantagem. Miccoli este muito vigiado mas foi decisivo pouco depois do minuto 35, quando após um canto a favor do Sporting e saída rápida do Benfica para o ataque, segurou a bola até ao sprint de Nuno Assis criar uma situação de 4-para-3; com Nuno Gomes mais adiantado e Assis a passar perto em corrida para o flanco esquerdo, o italiano fez um passe rasgado para a direita colocando Simão frente-a-frente com Custódio. Simão passou facilmente pelo médio adversário à entrada da área e rematou cruzado e rasteiro para o 0-2.

Minutos antes, o Benfica já havia ameaçado num lance semelhante em que teve de ser Romagnoli a ceder canto num recuperação defensiva para evitar que Simão se isolasse. E depois do golo, o Sporting desapareceu: o Benfica ainda enviou uma bola à barra, após jogada de envolvimento que culminou em assistência de Nuno Assis para remate frontal de fora da área de Miccoli. No último minuto da primeira parte, após falta sobre Petit à entrada da área, Simão marcou um livre à entrada da área contra o cotovelo de um jogador do Sporting que saíra antes de tempo da barreira; entre protestos e pedidos de penalty, a bola sobrou para Nuno Gomes que rematou rápido e rasteiro para mais uma boa defesa de Ricardo.

Com inteligência e calma (algo que terá faltado no Estádio das Antas já este ano, onde após recuperarem de uma desvantagem de 2-0 para 2-2, os benfiquistas ainda concederam a derrota nos instantes finais), aconteceu que os visitantes iam para o intervalo tranquilos e cientes que dificilmente a vitória lhes fugiria.

O Sporting fez duas trocas ao intervalo e a terceira ainda antes dos 70", mas poucas novidades trouxe ao jogo. Criou perigo em três lances (canto com boa defesa de Quim com um joelho, boa jogada de Nani que Bueno emendou com o braço ao primeiro poste sem que árbitro ou auxiliar anulassem e ainda um remate de Nani às malhas laterais), mas ficou sempre a ideia que o jogo estava decidido e controlado.

O Benfica segurava a bola melhor (a posse de bola passou para 52%-48%), sofria faltas que ainda originaram uns quantos cartões amarelos para o Sporting, inclusivé o segundo amarelo num lance em que Polga inexplicavelmente pontapeou Nuno Gomes. Contra 10, Nuno Gomes teve uma atitude ainda mais inexplicável na área adversária e ao fazer uma "tesoura" a João Moutinho que teve o devido tratamento do árbitro: vermelho directo para o avançado "encarnado".

O tempo esgotou-se sem mais golos, mas ainda com Djaló a desperdiçar a melhor oportunidade que o Sporting teve, obrigando Quim (que tinha estado à beira de ser substituido por Moretto duas vezes) à defesa da noite.

Ficha de jogo:

Estádio Alvalade XXI, 1 de Dezembro de 2006
Sporting, 0 - Benfica, 2

SPORTING:
Ricardo (6), sem culpas em nenhum dos golos, esteve bem sempre que foi chamado a intervir, quer com as mãos quer com os pés;
Miguel Garcia (4), foi regular a atacar mas abusou, como o resto da equipa, dos cruzamentos para cima de defesa adversária;
Polga (4), um jogador cheio de classe teve culpa no primeiro golo ao permitir que Ricardo Rocha corresse à sua frente para cabecear e mais tarde ao pontapear Nuno Gomes, vendo o segundo amarelo e ordem de expulsão; pelo meio, o jogador sóbrio e eficaz de sempre;o adversário soube sempre segurar o jogo
Tonel (4), regular e quase invisível; o adversário não lhe deu grande trabalho e não apareceu no ataque com em outros jogos;
Tello (6), esteve activo a tentar empurrar a equipa para o ataque e a fazer faltas quando o Benfica procurava contra-atacar; jogou com inteligência e acabou por nem sequer ser admoestado;
João Moutinho (6), é um jogador que não compromete, joga certo, mas não desiqulibra a favor do Sporting; ganhou mais bolas do que perdeu, mas não participou muito no jogo de ataque;
Cutódio (3), defendeu como era sua missão, mas esteve mal no lance do 0-2 ao "ir à queima" contra Simão que passou tranquilamente por ele; saiu ao intervalo por não ser útil à equipa;
Romagnoli (5), esteve bem e não se compreende bem porque terá saído ao intervalo; criou desiquilibrios, recuperou bolas, fez recuperações defensivas (inclusivé uma que deixaria Simão isolado) mas não foi suficiente para que o treinador o deixasse em campo;
Nani (4), é um jogador com talento mas que parece muitas vezes não saber o que fazer, não sendo objectivo e tendo dificuldades em soltar a bola; para além de um bom cruzamento e um remate às redes laterais, pouco fez;
Bueno (5), jogador com boa movimentação, criou o lance mais perigoso do Sporting na primeira parte e quase marcou (embora com a mão) na segunda; joga muito longe de Liedson e o seu entrosamento é relativamente baixo com o "levezinho";
Liedson (5), fez o seu jogo de segurar a bola e colaborar com os colegas, mas num jogo em que se abusou de "despejos" para a área adversária;
Carlos Martins (3), entrou ao intervalo, mas não conseguiu levar o Sporting ao golo, apesar de uma ou outra tentativa de remate exterior;
Yannick Djaló (3), controlado por Leo no lado direito, acrescentou velocidade mas perigo apenas a um minuto do fim, quanto rematou frontalmente perto da marca de penalty obrigando Quim a boa defesa;
Alecsandro (1), ainda jogou meia hora, mas não fez nada que justificasse mênção.

BENFICA:
Quim (6), é um guarda-redes que não dá confiança à equipa, nunca agarra uma bola nos cruzamentos, mas revela bons reflexos; fez a defesa da noite aos 89' e outra boa intervenção com o joelho no início da segunda parte;
Nélson (7), foi um grande impulsionador do ataque do Benfica pela ala direita; sendo muito rápido e ágil, é frequentemente melhor a atacar que a defender;
Luisão (6), é o partão da defesa do Benfica, até em noites que tem exibições discretas como a de hoje; compensa a falta de velocidade com bom posicionamento e toque de bola;o melhor em campo
Ricardo Rocha (8), um poço de força, cheio de atitude e decisão; depois de vários anos sem um único golo, marcou o segundo em três semanas e foi sempre rápido e simples a defender; foi o melhor em campo;
Léo (7), é provavelmente dos jogadores a actuar em Portugal, um dos que melhor entende o jogo, tornando muitas coisas fáceis mesmo contra adversário mais jovens, mais rápidos ou mais altos; um jogo ao seu estilo;
Petit (6), o "mouro de trabalho" do costume, sempre atento e pronto a distribuir jogo, ao contrário da maioria dos trincos que só destroem;
Katsouranis (6), esteve regular a defender e a integrar-se no ataque e foi, pela primeira vez na época, substituido, embora tal tenha acontecido aos 89';
Nuno Assis (6), entende bem o jogo e faz muito bem a "ponte" entre a defesa e o ataque; defende bem, ajudando um dos laterais com assiduidade;
Simão (8), além do excelente golo que marcou, é um jogador decisivo que está presente em todas as jogadas ofensivas, sendo um "vadio" para lá do meio-campo; a defender, não se furta ao esquema desenhado pela equipa técnica;
Nuno Gomes (4), estava no segundo poste em ambos os golos, mas esteve algo ausente, aparecendo apenas a segurar a bola no meio-campo, algo que faz com mestria, e, infelizmente, no lance em que mereceu o "vermelho directo";
Miccoli (5), jogando claramente diminuido, fixou sempre o "seu" marcador, jogando mais como pivot (fixo) do que em movimento, como é habitual; fez um passe excelente para Simão no segundo golo e foi "poupado" aos 70 minutos, recebendo uma grande salva de palmas;
Paulo Jorge (2), entrou a substituir o italiano e cumpriu, segurando a bola no frlanco direito;
Karagounis (1), entrou para o lugar do compatriota Katsouranis e esteve ainda em duas jogadas de ataque, sabendo pensar o jogo;
Beto (-), entrou só para queimar tempo e nem chegou a tocar na bola.

Golos:
0-1, Ricardo Rocha, 3';
0-2, Simão, 36'.

Disciplina:
CA, Anderson Polga, 40';
CA, Simão, 40';
CA, Katsouranis, 57';
CA, João Moutinho, 77';
CA + CV, Anderson Polga, 81';
CV, Nuno Gomes, 83'.

Arbitro:
Jorge Sousa (8), acertou mais do que errou, o que é uma virtude, mas não se soube impôr num jogo que até foi fácil; não havia necessidade de "amarelar" Polga e Simão por uma picardia, quando Bueno tinha feito pior a Leo; o amarelo a Katsouranis também parece excessivo e talvez Quim também merecesse um cartão por ser sempre algo vagaroso nas reposições.

OBS.: avaliação com notas de 1 a 10

2006-07-22

Le grand quoi ?...

O Tour de France é reconhecidamente a prova com maior prestígio em todo o calendário de ciclismo. No início de Julho, durante três semanas, um pelotão composto por cerca de 180 ciclistas percorre a França em cerca de cem horas.

Se é verdade que há outras provas que até são consideradas mais duras, como o Paris - Roubaix, nada se compara ao Tour. um traçado para proporcionar dificuldades a todos... A competição até tem alcunha: le grand boucle, ou seja, o "grande anel" ou, contextualizando um pouco, "a grande volta".

Mas este ano, após um período de domínio de Lance Armstrong que durou 7 anos (e que só foi verdadeiramente ameaçado em 2003 por Jan Ullrich, o alemão que nunca acabou a prova abaixo de quarto lugar e a venceu em 1997), esperava-se uma luta aberta em um naipe maior de corredores, onde pontificavam com maior destaque os vencedores do Giro d'Italia (Ivan Basso) e do Tour de Suisse (Jan Ullrich).

A caça estava aberta. Basso (Team CSC) e Ullrich (T-Mobile) como favoritos principais e um rol bastante extenso de pretendentes, como Vinokourov (Wurth), Heras (Wurth), Beloki (Wurth), Mancebo (AG2R), Botero (Phonak), Landis (Phonak), Hamilton (Phonak), Azevedo (Discovery), Popovich (Discovery), Hincapie (Discovery), Mayo (Euskatel), Zulbeldia (Euskatel), Kloden (T-Mobile) ou Valverde (Illes Balears). um alemão sempre favorito... Um leque amplo e deveras interessante. Muito interessante, mesmo.

Mas, com um senso de timing a roçar a perfeição e sem qualquer tipo de interesses escondidos (bolas, esqueci-me de pôr aspas...), foi divulgada na véspera da competição, após os testes de aptidão física feitos pela organização, uma lista de 56 corredores que, apesar de não haverem provas nem acusações formais, poderiam estar envolovidos com o Dr. Emiliano Fuentes no âmbito da mediática Operaccion Puerto. Para além do médico madrileno, a operação, que supostamente vai voltar a dar credibilidade ao ciclismo, já "vitimara" Manolo Saiz, patrão da entretanto extinta Liberty Seguros (transformada em Astana-Wurth e depois em Wurth) e a "sua" equipa.

Numa manhã (a de 30 de Junho de 2006), tudo se mudou.

Primeiro, Jan Ullrich e Oscar Sevilla (T-Mobile) foram suspensos preventivamente pela sua equipa, bem como o mentor do alemão, o belga Rudy Pevenage. um italiano trepador... Em algumas horas, Ivan Basso, Santiago Botero, Francisco Mancebo, Alexandre Vinokourov (não por implicação directa mas pelo facto da equipa não ter o número mínimo de atletas inscritos), Sérgio Paulinho, Joseba Beloki, Roberto Heras, Tyler Hamilton, entre outros, foram todos excluídos "silenciosamente".

Ficavam os outros. Até eram bons, muito bons.
Mas eram, definitivamente, "os outros".

E todos os dias houve emoção... desde fugas com meia-hora de avanço, um vencedor do Alpe d'Huez que fugiu do pelotão 6Km após a partida e andou fugido até à meta (para ganhar o maillot au poids, símbolo de "rei da montanha"), até quem perdesse 10 minutos (e o maillot jaune) num dia e recuperasse 8 no seguinte (está-se bem bem a ver a probabilidade disto acontecer com o peloton completo).

Parabéns a Floyd Landis (provável vencedor amanhã quando o Tour terminar nos Champs Elisées no coração de Paris), à T-Mobile (que começou com 7 atletas e acabou com 7, vencendo por equipas e mais três etapas - entre as quais, os dois contra-relógios, por Sergei Gonchar), a Michael Rasmussen (que provou poder vir a ser um digno sucessor de Richard Virenque) e a Robbie McEwen (novamente "rei dos sprints"). um americano triunfiante... p'ra variar ! Mas os parabéns são extensíveis a Damiano Cunego e Marcus Fothen, pela luta pelo maillot blanc (equivalente ao prémio da juventude), que o italiano venceu após uma fenomenal performance no contra-relógio de hoje.

Falando um momento do contra-relógio que decidiu a classificação geral, grandes resultados para Andreas Kloden (recuperou um lugar no pódio que, mesmo assim, lhe terá sabido a pouco), Oscar Pereiro (que ainda assim, não deu para manter a "amarela"), Floyd Landis (sem arriscar e após o esforço feito 48 horas antes, muito sólido e focado no seu objectivo), o já referido Cunego (que tinha menos de 10 segundos de vantagem de Fothen e acabou por ampliar essa vantagem) e o vencedor, o quase veterano Sergei Gonchar, único a "rolar" acima dos 50 Km/h de média.

Viva o Tour de France !!!
Viva Le Grand Boucle !...

Pode ser que, para o ano, volte a ser grand...

2006-06-30

O dia negro do adepto

Hoje, não sou cronista ou jornalista.
Sou "apenas" um fã, um adepto...

Hoje, a Argentina foi eliminada. Para mim, é a equipa que se mostra sempre mais ofensiva a com vontade de marcar golos, trocando a bola no meio-campo como se fosse um processo automático, chegando à área e baliza adversárias intermináveis vezes (por intermédio de Crespo, Maxi, Tevez, Messi, Riquelme, Sorin, etc.). argentina Mas o treinador (expoente máximo disso mesmo enquanto estava nas camadas jovens), chegou a seleccionador nacional e, depois de estar a ganhar à selecção "da casa", teve medo e retirou os seus maiores talentos ofensivos. Quem só defende, arrisca-se a perder (mesmo que seja nos penalties), e foi o que aconteceu à Argentina...

Mas pior, hoje de manhã ficou-se a saber que "meio pelotão" do Tour de France poderá ter ligações ao Dr. Emiliano Fuentes, o centro do Operaccion Puerto (a par do manager da Liberty Seguros, Manolo Saiz), investigação que decorre sobre a manipulação e uso de sangue de atletas com vista a um rendimento melhor em altitude; não houve controlos anti-doping positivos, não houve provas, mas há indicações de ligações entre muitos ciclistas e este médico madrileno. jan ullrich Um dos casos é o do meu favorito, Jan Ullrich, que depois de vencer o Tour de Suisse há menos de duas semanas, vê-se de fora da luta pelo lugar que conquistou em 1997. A par dele, Basso, Mancebo, Sevilla, Jaksche, Botero, Hamilton (e até o português Sérgio Paulinho) ficam numa lista de potenciais culpados, convidados a provar pelos seus meios uma inocência que poucos acreditam possível. O castigo pode ir até 4 anos de suspensão, diz a UCI. Mais um ano de espera ?!...

2006-06-26

Catenaccio apelativo

Há fãs do sistema italiano no arbitragem !!!
Ou será que "o sistema" existe mesmo ?!...

Que as cores das camisolas têm pesos diferentes, ninguém parece duvidar, mas o que se viu hoje foi um pouco para lá dos limites. já passei... já posso cair! Minutos depois de uma rasteira de Zambrotta à beira da área italiana ter passado impune, o lateral esquerdo italiano Grosso decidiu-se por uma rara investida pelo flanco e deu por si dentro da área adversária; ao ver o defesa australiano Neill deslizar à sua frente enquanto a bola passava ao lado dele, decidiu dar um passo por cima do (infeliz) australiano e deixar-se cair.

O peso da camisola fez o resto.
Isso e o pé direto de um Totti fora de forma.

Paciência, diz o futebol.
Quatro anos depois de o mesmo peso ter deitado abaixo a Espanha (dois golos limpos anulados) e a Itália (penalty não sancionado e correspondente expulsão de Totti) em prol de uma Coreia organizadora e carregada ao colo, fica no ar a ideia que pesos diferentes e medidas diferentes vão continuar a "medir" estes eventos.

prejudicados na coreia e beneficiados na alemanha

Correndo o risco de me repetir, digo: "Paciência!"

2006-01-28

A lei do mais fraco

Aconteceu de novo. Aquele que foi considerado o rival mais fraco e em pior forma, durante a semana que antecedeu este derby, venceu. E fê-lo sem problemas. Com alguns sobressaltos, é verdade, mas sem problemas.

simão nunca conseguiu escapar com sucesso à defesa do sporting...


O Benfica vinha de uma série de bons resultados (que para além da Liga e Taça, incluiam a eliminação do Manchester Utd da Liga dos Campeões após a vitória por 2-1 na Luz sobre os ingleses) a esperada 7ª vitória consecutiva não aconteceu. Porque o Sporting foi melhor e porque, valha a verdade, o Benfica foi pouco inteligente a segurar a vantagem (injustamente) conquistada.

O Sporting mandou sempre no meio-campo... com João Moutinho e Carlos Martins nos seus estilos habituais (Moutinho, certinho e enérgico e Martins, buliçoso e empreendedor), o Benfica nunca se adaptou. mais alto que a defesa encarnada... Principalmente porque Beto fez de Petit um homem só.

No resto, calma e classe de Polga vs insegurança de Alcides, velocidade e eficácia de Liedson vs incapacidade de Nuno Gomes, enfim, um conjunto de factores e exibições que fizeram do resultado algo normal, quando tal não se previa.

Na verdade, só a sorte do jogo poderia dar a vitória aos encarnados. E ela surgiu, num lance em que Custódio se faz mal à bola (que teve uma trajectória esquisita, diga-se) e a toca/desvia com o braço. Penalty bem transformado por Simão, a jogar "uns furos abaixo" do que nos habituou e do que se exige para um jogador do seu nível.

Mas chegou a segunda parte, e com ela a justiça do jogo e consequente descida à realidade. Em três lances, insegurança e falta de decisão puseram no marcador a diferença entre os conjuntos.

No primeiro, Beto não cobriu a bola convenientemente e, quando a tentou chutar (com toda a força que tinha, aparentemente), já Liedson a tinha desviado para a cabeceira. Penalty quase tão ridículo quanto visível para o fiscal-de-linha, que prontamente a indicou ao juiz principal. Sá Pinto atirou bem, Moretto adivinhou, e o Sporting atingiu o 1-1.

No segundo, Luisão deixou Liedson levar a bola para onde quis, deixou-o fintar "para dentro" em vez de o "convidar" a ir para a linha de fundo, e o brasileiro do Sporting fez um golo tão simples quanto bonito.

No terceiro, o "dois-em-um". Primeira asneira foi a de Alcides (inseguro desde o apito inicial) a perder a bola e depois Moretto a demorar uma eternidade a sair dos postes... o brasileiro que já tinha contornado Luisão no segundo golo, contornou mais dois brasileiros com calma e segurança, fechando o resultado.

Poderá parecer que só foi demérito do Benfica, mas não. O Sporting criou outras ocasiões de golo (na primeira e segunda partes) por mérito próprio e foi por mérito próprio que venceu o jogo. Curiosamente, o Benfica é que (também) perdeu por demérito próprio, porque quando o Sporting construiu lances de golo, por esta ou aquila razão o marcador não funcionou; foi só quando os encarnados "ofereceram" que os verdes-e-brancos "festejaram".

Ficha de jogo:

Estádio da Luz, 28 de Janeiro de 2006
Benfica, 1 - Sporting, 3

BENFICA:
Moretto (4), pouco interventivo e retraído no seu primeiro jogo entre "grandes"; mostrou inexperiência com o terceiro golo, depois de ter feito duas boas defesas na primeira parte;
Alcides (3), uma quase nulidade na marcação e posicionamento; ausente no ataque; culminou com a assistência para Liedson no terceiro golo;
Luisão (5), ficou "muito mal na fotografia" do segundo golo do Sporting, mas até então tinha sido dos poucos a revelar alguma calma e classe;
Anderson (5), ao contrário de Luisão, esteve estranhamente inseguro; sem comprometer, fez um jogo apagado;
Nelson (4), fora do seu lugar, não rende (nem a defesa esquerdo, nem a extremo direito); tem estofo de grande jogador, mas é ainda muito imaturo;
Beto (1), apenas ocupou espaço no meio-campo; perdeu bolas em vez de as conquistar e falhou passes a dois metros; claramente, o "pior em campo";
petit foi o único a conseguir suster o ímpeto do sporting... mas esteve em clara minoria !Petit (6), o melhor "encarnado" em campo, lutou o que pode, sem sucesso nem resultados práticos;
Giovanni (4), de novo sem posição fixa, não encontrou espaços para o seu tipo de jogo "diluindo-se" na defesa adverária;
Manduca (3), tal como o guarda-redes, acusou a inexperiência e passou ao lado do jogo sem ter feito nada de relevante;
Simão (5), marcou o penalty exemplarmente, mas em jogo jogado fez muito pouco, transportando algumas vezes a bola e ajudando na defesa;
Nuno Gomes (5), trabalhou perdido na defesa adversária, ganhando alguns lances e perdendo outros, mas sem criar o perigo que se prentendia;
Manuel Fernandes (3), meia-hora em campo a fazer o que Beto não tinha feito; ainda assim, o Benfica não ganhou o meio-campo;
Marcel (1), entrou mas foi como se não tivesse entrado;
Robert (1), doze minutos a jogar um jogo perdido.

SPORTING:
Ricardo (6), teve uma noite tranquila com pouco trabalho; mostrou mais do que uma vez a qualidade de jogo que tem com os pés; não teve hipóteses no penalty; guarda-redes seguro festou três golos dos colegas...
Abel (5), ganhou e perdeu lances, não comprometendo nem sendo factor de desiquilibrio, pode-se dizer que cumpriu;
Anderson Polga (7), tranquilo e senhorial, mostrou porque é provavelmente o melhor central a actuar em Portugal, com os pés principalmente;
Tonel (5), ao lado do brasileiro campeão do mundo, tudo parece mais fácil; e foi sobre essa condição que teve uma exibição certa;
Caneira (6), mostrou experiência e calma no regresso à Luz, na posição em que foi mais utilizado nesse período;
Custódio (3), presença discreta com algumas faltas a mais e passes perdidos; foi infeliz no penalty, uma vez que o toque é notório mas parece involuntário;
João Moutinho (6), fechou bem a zona média e avançou sempre que pode, mostrando que é um jogador em crescimento;
Carlos Martins (6), tal como o seu colega do meio-campo, recuperou e municiou o ataque, na zona onde o Sporting mandou no jogo;
Sá Pinto (4), foi um capitão sem nível; sendo a referência dentro de campo para os colegas, protestou demais, perdeu bolas demais e foi incorrecto (mais do que uma vez) para com o público e banco benfiquista; por pouco permitia a defesa de Moretto no penalty que transformou;
Deivid (5), perdeu alguma da confiança que tinha no início da época, dada a menor utilização, mas é um jogador de classe, embora o tenha mostrado apenas a espaços;
liedson silenciou o estádio da luz Liedson (8), o "levezinho" foi a estrela da companhia, pelos dois golos cheios de mérito pessoal e pelo que trabalhou em acções de ataque e defesa; ganhou algumas bolas mas principalmente obrigou a defesa adversária a perder ou afastar a bola sem construir ataque; foi o melhor em campo;
Nani (4), entrou fresco para o lugar de Carlos Martins e o Sporting manteve o domínio a meio-campo; não teve grandes rasgos;
João Alves (2), entrou para segurar o meio-campo, quando o Benfica tentou atacar; esteve discreto no pouco tempo em campo;
Miguel Garcia (-), entrou nos descontos para queimar tempo.

Golos:
1-0, Simão, 28' (g.p.);
1-1, Sá Pinto, 65' (g.p.);
1-2, Liedson 74';
1-3, Liedson 83'.

Disciplina:
CA, Caneira, 34';
CA, Petit, 88';
CA, Anderson Polga, 90'.

Arbitro:
Pedro Henriques (10), espectacular sem se ter dado por ele (é isto que se pretende de um árbitro); se errou em uma ou duas faltas a meio campo, foi muito, porque ele foi um modelo de perfeição; além do mais, a forma como dialoga com os jogadores e árbitros assistentes, ajuda-o a manter todo o jogo sob controlo, dando a ideia de que, como ele, os jogadores não se queixam... falam.
Os árbitros assisntentes ajudaram à perfeição, uma vez que não notámos nenhuma decisão errada nos foras-de-jogo e foi um destes que assinalou (bem) o penalty cometido por Beto sobre Liedson. Exibição exemplar.

OBS.: avaliação com notas de 1 a 10