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2011-07-23

Ciclistas simpáticos também ganham o Tour de France

Para variar, não será um "tubarão" a vencer o Tour de France.

Dois ciclistas simpáticos, Cadel Evans e Andy Schleck - daqueles que, reconhecidamente, são menos agressivos embora igualmente talentosos - tornaram-se os principais favoritos à vitória no Tour de France de 2011.




Não será como no ano passado, em que Alberto Contador aproveitou uma falha mecânica na bicicleta de Andy Schleck para lhe ganhar uns decisivos 39 segundos [link] na subida de Port de Bales.

Não será como em tantas situações, em que Lance Armstrong pôs o "comboio da US Postal" (e, depois, "Discovery") ao seu serviço para dizimar a concorrência (nomeadamente, Jan Ullrich), ou mesmo em iniciativas individuais, como na edição do centenário, em 2003, em Luz-Ardiden, quando após a sua queda e de Iban Mayo provocadas pela alça de uma sacola de um espectador, aproveitou a perda de ritmo dos que por ele esperaram [link] para os passar, lançar um ataque e ganhar 40 segundos (tendo ainda a "subtileza" de, quando entrevistado, dizer que não sabia se Julich, Zulbeldia e Ullrich tinham esperado).

Não será como nos anos em que Bernard Hinault não olhou a meios para derrotar Greg Lemond ou Laurent Fignon, nem como nos anos em que "O Canibal" Eddy Merckx dominou a prova raínha do ciclismo.

Em 2011, e após umas etapas inócuas nos Pirinéus e ausência de um contra-relógio individual intermédio (parecia um TdF a "defender" Andy Schleck de Alberto Contador), os Alpes trouxeram a emoção que a prova merece.

E as duas diferenças foram:
  • a aparente baixa de forma do vencedor do ano passado (só no Alpe d'Huez lançou um ataque decisivo, mas que não lhe deu a etapa, nem mais do que 40 segundos sobre a concorrência, insuficientes para colmatar os quatro minutos de atraso que trazia do "camisola amarela" Thomas Voeckler e três dos outros candidatos);
  • a equipa BMC (muito mais bem composta que as antecessoras, com George Hicapie e Marcus Burghardt - fica também o "recado" para a T-Mobile, que nunca soube fazer como a US Postal ou "esta" BMC, sucessora da Lotto, e pôr uma equipa inteira ao serviço de um só líder) e o seu chefe de fila, o australiano Cadel Evans, que conseguiu minimizar as perdas na montanha face aos "trepadores" natos (um pouco à imagem de Miguel Indurain) e capitalizar no que é o seu forte, a corrida solitária contra o cronómetro.




Assim, para hoje, estava agendado um contra-relógio de 42Km com partida e chegada em Grenoble, onde Andy Schleck tinha a missão de defender a "amarela" conquistada na véspera, com os 53 e 57 segundos de avanço para o seu irmão Frank e para Evans, respectivamente.

Ao contrário de 2008, quando houve semelhante hipótese face a Carlos Sastre, o australiano não vacilou e, em pouco mais de 16Km, já era "camisola amarela virtual", pondo a pressão toda em Andy Schleck, que via a sua previsão de que só haveria um Schleck no pódio de Paris, mas de amarelo [link], sair completamente ao contrário... os irmãos luxemburgueses terão, de facto, a tarefa penosa de ladear o vencedor.

O facto de, tão rapidamente, perder a "amarela", fez com que Andy Schleck fizesse um contra-relógio muito fraco, muito pior do que fez contra Alberto Contador no ano passado e, inclusive, pior do que o de Frank; imediatamente, Andy reconheceu o mérito da vitória [link] de Cadel.

A vitória de Tony Martin, com 7 segundos de avanço de Cadel Evans, colocou este último de "amarelo" à entrada para a última etapa.

A vantagem que tem é de 1m34 sobre Andy e de 2m30 sobre Frank, o que o coloca a salvo de um ataque de última hora, pelo que só uma queda ou situação inesperada e inédita lhe poderiam tiram a merecida vitória.

Em quarto lugar, ficará um francês, Thomas Voeckler, que "carregou a camisola amarela" muito para além do que se poderia esperar e, em quinto, o vencedor do ano passado, Alberto Contador.

Os parabéns para o vencedor e, se não for pedir muito, que a ASO (a Amaury Sport Organization, organizadora do evento) pense num Tour mais interessante para 2012, para que a emoção comece logo na primeira semana, e não apenas a 4 etapas do fim. Os adeptos agradecem.

2007-07-29

Verão sobre rodas... com pronúncia espanhola !

Hoje, em Lisboa, está a chegar o Verão !...
Ainda é cedo, pouco passa das 10h, mas parece que estão já 30 graus na rua, o que não augura nada de bom (por mim, cheira-me logo a incêndios pouco casuais).

Neste contexto, e em termos de desporto, nuestros hermanos estão absolutamente on fire... principalmente Alberto Contador, Rafael Nadal e Fernando Alonso.

Apesar da tenra idade e de ser um estreante no Tour de France, Alberto Contador venceu a prova, tendo vencido uma etapa (nos Pirinéus, na difícil etapa que terminou em Plateau-de-Beille), conquistando o maillot jaune após a exclusão do então líder, Michael Rasmussen, que terá mentido à sua equipa sobre o seu paradeiro no mês antes da competição. Entretanto, o jovem espanhol (o primeiro a conquistar a camisola branca e a amarela desde que Jan Ullrich o fez em 1997) teve o mérito de conquistar tempo aos valorosos adversários (o australiano Cadel Evans, o colega americano Levi Leipheimer e ainda os compatriotas Carlos Sastre, Haimar Zubeldia e Alejandro Valverde), perdendo tempo no contra-relógio do penúltimo dia mas vencendo com todo o mérito, com a menor margem desde que Greg Lemond bateu Laurent Fignon por 8 segundos nos anos 80. Curiosamente (ou não), estiveram 6 espanhóis entre os 10 primeiros.

Quanto a "Rafa" Nadal, após a derrota na final de Wimbledon (pelo segundo ano consecutivo), final essa em que pela primeira vez alguém "obrigou" Roger Federer a um quinto set (e onde Nadal teve dois pontos de break antes de ceder por 2-6 e assim, o quinto título consecutivo para o suiço), o sobrinho do ex-futebolsita do Miguel Angel Nadal (Barcelona, Maiorca, etc.) não perdeu muito tempo a reencontrar o caminho das vitórias, voltando ao seu piso preferido (a terra batida) para vencer em Estugarda, passeando a sua classe e superioridade, derrotando o suiço Stanislas Wawrinka por 6-4 e 7-5 na final. O US Open está aí à porta (em hard court, infelizmente para Nadal) e o objectivo é, como em Wimbledon, destronar Roger Federer.

Entretanto, na Fórmula 1, o campeão do mundo Fernando Alonso "apimentou" a corrida pelo título ao vencer o Grande Prémio da Europa (conquistando 10 pontos) enquanto o seu colega e sensação do ano, Lewis Hamilton, se quedou pela décima-primeira posição, não pontuando. Como o actual sistema de pontuações permeia a regularidade (ao contrário do que se passava nos tempos de Prost, Senna, Piquet e Mansell), o título está em aberto com Hamilton (70), Alonso (68), Massa (59) e Raikkonen (52) a animarem a luta.

Talvez este mês sirva para nós, portugueses, pensarmos e reflectirmos que sermos "os maiores cá dentro de portas" vale realmente de muito pouco e que, sendo em termos de superfície e população aproximadamente 1/5 deles (ou "de ellos"), poderíamos ter 1/5 do sucesso a este nível (e a outros nívels... lembro, assim de repente, do Festival da Eurovisão). Se calhar, temos de "dar um passo atrás, para poder dar dois em frente"... processos como o Apito Dourado devem limpar quem está a mais em vez de desculpar e encobrir quem, por detalhes técnicos é comprovada e visivelmente corrupto(a), se mantém à frente de empresas e organizações (federações inclusive) "arrastando" o desporto (até como fonte de cultura) para um plano secundário (e como fonte de iliteracia, como distração marginal), mas sempre sem prejuízo dos interesses pessoais, porque esses não deixam de vender jornais, nem deixam de aparecer como primeiras notícias na nossa televisão.

Ou talvez não sirva para nada.
A vida continua lá fora...