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2011-06-27

River Plate, a merecida sentença

Para os mais distraídos (ou apenas interessados nos títulos de notícias), foi apenas ontem que o "histórico" River Plate desceu à segunda divisão argentina, ao empatar a 1 golo com o Belgrano, recém-promovido.

De facto, esta sentença foi amplamente merecida pelos resultados mais recentes, embora (apenas) executada ontem, perante 60.000 fanáticos e incrédulos adeptos que esperavam uma "redenção", no imenso e lotado Monumental de Buenos Aires.

A decadência do River deu-se a partir de 2008 quando, logo após a sua vitória no Clausura, fica em último lugar da tabela no Apertura desse ano, algo inédito na sua longa história.



Nem foi a época 2010/11 que foi a mais negativa para o River (4º em 20 clubes no Apertura 2010 e 9º no Clausura 2011, 6º no total da época, o que até lhe daria acesso à Copa Sudamericana se não fossem despromovidos), mas a classificação acumulada (designada de "Tabla de descenso") mostra que os últimos 6 torneios somados foram demasiadamente maus para serem verdade.

Explicando o sistema de subidas e descidas, a classificação é definida pela média de pontos por jogo de cada um dos 20 participantes nas últimas 3 épocas (38 + 38 + 38 = 114 jogos). No final de cada época, descem os dois piores e vão a um Play-Off os dois acima, defrontando o 3º e 4º do segundo escalão.

O River estava acima da linha de água a 5 jornadas do fim e precisava de fazer 5 ou 6 pontos nesses jogos, para ficar à frente do Tigre ou do Olimpo.

À 16ª Jornada, um nulo em casa do Olimpo deixou tudo na mesma.
À 17ª, novo empate, desta vez em casa e a um golo, face ao Colón.
Repetiu-se o resultado (1-1), na 18ª, no difícil campo dos Estudiantes.
Para a 19ª Jornada, a "redenção" estava ao alcance, bastando uma vitória em casa sobre o Lanus, em pleno Monumental... mas a derrota por 1-2 "atirou" o River para o Play-Off, ficando em 17º com uma média de 1,236 pontos por jogo (41 + 43 + 57 pontos), atrás do Tigre e do Olimpo, ambos com 1,263.

No topo da classificação, Velez Sarsfield (vencedor do Clausura 2011) com 1,833 seguido do Lanus com 1,736 e Estudiantes de La Plata (vencedor do Apertura 2010) com 1,728 são as equipas mais regulares, sendo que o quarto classificado neste ranking já está abaixo do 1,500; o outro histórico, o Boca Juniors, encontra-se a meio da tabela com 1,412 de média.



Neste cenário, chegado o desempate a duas mãos, e dado ter uma melhor média que o seu adversário, bastava ao River empatar a eliminatória com o Belgrano. Mais uma vez, aos "milionários", pedia-se "só" uma performance mediana face ao 4º classificado da segunda divisão para evitar a descida.

Mas nem assim.

Após a derrota fora por 0-2, o River "entrou a todo o gás" na segunda mão, marcando um 1-0 aos 5 minutos e tendo, mais uma vez, a "redenção" ali tão perto.
Veio o 1-1 e o River voltou à carga... mas após o desperdício de um penalty, ficou claro que não haveria "redenção", que a "descida ao inferno" seria uma realidade.



E os adeptos nem quiseram ver até ao fim... o jogo foi interrompido no últmo minuto devido ao ambiente tumultuoso que já se vivia nas bancadas e que foi transportado para as ruas da capital, onde cerca de 70 feridos e 50 detidos houveram a reportar.





Para o Apertura 2011, apenas haverão 2 clubes que se mantêm totalistas da primeira divisão argentina: Boca Juniors e Independiente... o River Plate perdeu o estatuto.

2009-12-21

Erro de observação, ou de critério ?

Perdoem-me a imodéstia, mas hoje vou conseguir provar que o assunto mais importante do Benfica-Porto não foi criteriosamente observado, como deveria, por quem de direito. Aliás, neste aspecto, trata-se da constatação de algo que frequentemente acontece no jornalismo nacional (desportivo e não só).

Este fim-de-semana futebolístico foi vermelho.
Só o mais desatento, ou porventura desinteressado, não saberá que o Benfica venceu o Porto em futebol (1-0, mas também em basquetebol por 78-72), tendo goleado o Freixieiro (10-1) em futsal.



Voltando à variante de 11 e mudando um pouco de tom de vermelho, o Sp. Braga é, pela primeira vez no seu historial, coroado "Campeão de Inverno" ao chegar ao final do ano de 2009 no primeiro lugar do campeonato, fruto de 10 vitórias, 3 empates e apenas 1 derrota, registo igual ao do Benfica, relegado para segundo pela derrota (0-2 em Braga) no confronto directo.

Com tanto assunto positivo para comentar, com tantas incidências desportivas para esmiuçar, com um clássico que foi um bom jogo de futebol, teve duas equipas que lutaram para ganhar, esgrimindo os seus argumentos num campo que também se foi tornando obstáculo com o decorrer do jogo e que tanto deu para ver e comentar, os "nossos" canais de televisão, postos de rádio, sites online e jornais desportivos conseguiram não ver o que melhor deveriam ter observado.

Infelizmente, porém, o jornalismo desportivo em Portugal está em vias de extinção, moribundo, quase morto e defunto.

Quem viu o rescaldo do jogo terá ficado com a ideia que os dois eventos mais importantes da noite terão sido o golo de Saviola e o que se passou no túnel. Principalmente o que se passou no túnel, porque a única pergunta em comum a todos os que estiveram no "Flash Interview" foi exactamente essa.

Quem começou ?...
O que se passou ?...
Mas um dos agressores era suplente e foi expulso ?...
Houve sangue ?... (esta última é da minha autoria, perdão!)

De facto, os veículos da notícia (jornalistas e mass media) não são hoje veículos de verdade, são transportadores de pequenos flashes (remotamente parecidos com notícias) que visam colar o telespectador ao sofá, na esperança que por ali fiquem ininterruptamente durante jogos e intervalos (cada um com N anúncios a prendas de Natal capazes de fazer mais dano ao bolso do português do que qualquer Orçamento Rectificativo ou Acordo de Concertação Social).

Num jogo em que, para os profissionais que o acompanharam, o cartão amarelo ao David Luiz foi igual ao do Christian Rodriguez ou a "bola na mão" do Cardozo foi igual à “mão na bola” do mesmo Christian, era esperado que não vissem o que realmente se passou.

E o que se passou foi um erro de observação da equipa de arbitragem que não interrompeu a jogada que daria o golo solitário do jogo.
E o que se passou foi um erro de critério de todos os jornalistas que passaram tempos infindáveis a falar "disto e daquilo" e não se focaram no que é mais importante.

De facto, na jogada que precede o golo, em que Alvaro Pereira evita o golo de Cardozo, quando a bola é lançada da para a área, Saviola chega a tocar nela antes do toque de calcanhar de Urreta. No momento em que Saviola toca ao de leve na bola, Urretavizcaya está completamente fora-de-jogo.



Não é estranho que o árbitro auxiliar não tenha visto, dado que o toque de Saviola é mínimo, o mesmo se passando para o juiz principal.

O que é estranho é que a tantos "olhos de lince", tantas "mentes iluminadas", tantos "proeminentes comentadores" que passam horas a escalpelizar detalhes decisivos, tenha escapado tamanho pormenor.

O que fica provado é que o Benfica e o Porto são duas boas equipas de futebol que falham ocasionalmente; o que fica provado é que estas e outras equipas portuguesas têm bons jogadores que erram regularmente; o que fica provado é que temos bons árbitros que se enganam todos os fins-de-semana.

Mas a todos estes, dou o benefício da dúvida... têm de decidir no momento, estão sobre a pressão de milhares de olhos ao vivo e milhões em casa. Trabalham durante toda a semana para decidirem o futuro em 90 minutos, são avaliados ferozmente... num dia são "zeros", no outro "heróis".

Quanto aos jornalistas, não se pode ser tão benevolente.
Uns vão mal preparados, outros não percebem do assunto, muitos tratam muito mal a Língua Portuguesa e falam sem qualquer conhecimento de causa (se o tivessem, eram treinadores!), quase nenhum se sabe colocar perante uma câmara... enfim, um rol de incompetências de bradar aos céus. Mas a culpa não é só deles... é, claramente de quem os coloca lá, de quem faz deles "tartarugas num poleiro".

Resultado justo e claro.
Mais uma vez, o Futebol "goleia" o Jornalismo.
Futebol 3-0 Jornalismo.